quinta-feira, 15 de maio de 2014

E de repente a tempestade...

Não sei dizer se é só comigo que isso acontece, mas tenho a impressão que ás vezes vivo em um mar de calmaria, sem ventos para impulsionar minhas velas. Uma calmaria quase sem fim.

Nada acontece, nada muda, nada aparece.
Não sou uma pessoa que vive bem com nadas.

Sou de tudo, de acontecer. O nada me enche de tédio, me entristece, pesa a vida.
E eu, sempre querendo ser leve. Nem sempre conseguindo.

Quando a calmaria sufoca e o vento se faz tão necessário que parece que o ar do mundo está acabando, bem... É aí que tudo começa.

Ventos, trovoadas! Chuvas e chuvas de tudo o que faltava no nada. Tudo e mais além.
As coisas começam a acontecer uma atrás da outra, uma por cima da outra, uma junto da outra.
Uma tempestade de acontecimentos.

O nada se transforma em tudo em questão de segundos.

Tudo acontece em uma velocidade tão assustadora que não consigo acompanhar. Só quero abraçar o mundo, conseguir viver o que me é proposto, o que me é apresentado.

Até que a tempestade começa a assustar.


Calmaria assusta, tempestade também.



Então eu quero é viver de vento, de brisa, de chuva boa, daquelas de verão, molhando a alma!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Não tenho vivido

Estranho pensar em vidas que vão. Vidas que foram entrelaçadas com a minha, partindo assim.
Jogando na minha cara as oportunidades que perdi.

Parece que é sempre assim, o roteiro se repete. Repete, mas de uma maneira completamente diferente, de um jeito que a gente nem imagina, fugindo totalmente de qualquer controle que poderia existir.

Impotência. Talvez um dos sentimentos mais esmagadores.
Arrependimento. Talvez um dos sentimentos mais doídos.

Foi assim com você, Thiago, e até hoje imagino como teria sido nossa viagem para o Rio, naquele albergue que era 'um lugar alternativo, para pessoas alternativas'. Pena que naquela época você tinha uma prima muito careta para isso, e quem perdeu fui eu.

E...

Foi assim com você, Phael, e agora imagino como teria sido assistir você no teatro. Enquanto vivia um dos momentos mais libertos e felizes da sua vida, recebi o convite para estar ali, assistindo de perto seu êxtase. Eu não estive lá. Pena que naquela época você tinha uma amiga muito medrosa para frequentar lugares novos, e quem perdeu fui eu.

Talvez essas coisas só nos mostrem o quanto não temos vivido.

Phael, você foi meu confidente e meu melhor amigo em muitos momentos do meu passado. E sim, a gente precisava se ver. Eu precisava te ver.
Não deu.

Vá em paz, meu amigo.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Talvez... Ás vezes...

Talvez eu só não queira enxergar que piso no chão de labirinto, sem saber onde está a saída ou o final.
Podendo ser ainda pior, caminho sem saber o que vou encontrar ao me deparar com a saída.
Mas caminho. Ás vezes como criança em meio a uma brincadeira, ás vezes como adulto apavorado com as incertezas.


Talvez eu crie fantasias de que está ali, bem ali, comigo.
Isso. Está, não só ali, mas comigo.

Está?

Talvez e ás vezes, os dias vão passando.

Desejando o certo, certeiro, com certeza.
Mas, como pedir?

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Stand-by

Estranho como o tempo simplesmente não passa.
Horas estátuas, dias paralisados. Nada, nada, nada.
Tudo se arrastando ao meu redor.

Tudo incomoda, irrita, faz o pensamento ir longe.

Longe.

Tudo muito longe, tudo diferente. Tudo meio fora do lugar.
Procurando um lugar.
Mas, que lugar é esse?

Pausa.


Pausa. Dramática.


Tudo assim, suspenso.
Aguardando certezas. Cadê?

Elas demoram. Não chegam.
Vão chegar?


Pra quê? Por que precisar de tantas certezas, menina?
Pra que tanta raiz, tanta âncora, tanto chão?

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

De talvez em talvez que tenho vivido os últimos anos.

Vivo mergulhada em um talvez que dói.

Não quero tremer toda vez que sei que está aqui. Ou quero, mas não da maneira que acontece agora.
Não quero ter que esconder de todo mundo o quanto eu penso em você, ou o quanto eu tenho medo de pensar em você.
Não quero continuar fingindo que não me interesso quando escuto qualquer pessoa falando seu nome.
Não quero carregar o peso de ter te magoado profundamente e jamais ter a chance de conquistar um perdão.
Não quero ter que estar bêbada em uma festa para beijá-lo.
Não quero beijar e ter que sair correndo.

Quero que me beije. Pelo simples fato de querer!

Não quero fingir que nada acontece quando nossos olhares se cruzam, e que o brilho deles não conversam.
Não quero ter raiva da sua falta de atitude.
Não quero me sentir desejada e depois mergulhar em dúvidas sobre o que você pensa.
Não quero ter que imaginar o que passa na sua cabeça.

Quero saber! Quero ter certezas. Sejam elas quais forem.
Sem talvez, sem achismos.

Mas no meio, ou no final, sempre me afogo em suas certezas incertas.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

...

Acho que queria um porre num bar sujo e todos os cigarros que nunca fumei. Voltar a hora que quiser e fazer o que bem entender, sem medos, culpas ou mágoas. Sem preconceitos. De cabeça aberta e coração protegido.

Acho que queria algumas músicas alegres nas notas de um violão desafinado. Ou quem sabe algumas notas tristes. Queria ser revolta, cuspida na cara. Queria ferver de medo, mas sem armaduras. 

Mas acho que ainda quero algo comedido demais, calmo demais, espiritualizado demais, saudável demais.
Talvez eu tivesse a mania de me enfiar em capítulos de príncipe e princesa, derramando finais felizes em páginas de um diário secreto. 

Só que agora, não consigo mais. Tudo perdido, tudo sem trajetória. Tudo sem achismos. 
Agora eu não olho mais nos olhos, pra não ter que olhar pra trás. 

Talvez seja crueldade querer de mim aquilo que não quero ou não posso dar. Porque é sempre mais fácil culpar o auto sabotamento com desculpas vazias. Será que estou me auto sabotando?

Começo achar que as respostas deveriam ser mais fáceis e claras. Por que os signos do zodíaco, com todas as suas características não conseguem me convencer? Por que um coração tão cético? Talvez se acreditasse em coisas tolas poderia haver, para mim, várias outras explicações e achar vários outros caminhos. 'Bem, hoje o meu horóscopo disse isso', quem sabe 'as cartas do tarô me guiaram' ou qualquer coisa do tipo. 

Mas a verdade é que sou minha e do mundo. Porque eu tenho tentado cuidar dos meus vazios, e para isso mergulhei no fundo do fundo dos meus abismos, e tenho achado coisas tão boas quanto respirar na superfície. 

Eu não chorei. Mas fiquei aos prantos. Como pode? Coração estraçalhado, dor aguda, forte... e depois o medo. O vazio.

Mas eu não posso reclamar do que estou perdendo, porque eu tenho ganhado tanta coisa quando nem precisava. E talvez seja mesmo melhor o que vem pela frente. Melhor gastar meu pensamentos com isso. O que vem. Chega logo.

Importante ressaltar: eu não chorei. Mas estive aos prantos.  

Importante dizer: não era falta de saudade, era desapego. Não era falta de amor, era a certeza do tempo esgotado. Não era falta de interesse, era uma profunda ocupação com o entendimento do que era minha vida. 

Nunca fui de mágoa, mas aprendi a ser de indiferença. 

Mudei. Sem perceber. Sem sentir. Mas quando assustei, já não era eu quem estava ali. Não é exagero, nem escolha. Aconteceu. Sempre assim. Acontecem coisas que fogem do meu controle emocional.

Acho que eu não tinha mais tempo pra ser aquela pessoa certa. Não consigo superar minhas expectativas emocionais. Isso é frustrante.

Confesso que quando recebo tuas palavras, algo se mexe aqui dentro, arranha meu sorriso, embarga minha voz, abaixa minha cabeça, incha meus olhos de água salgada… Eu gostaria de ser uma lembrança boa. 

Estou com tanta ressaca por dentro. Não sabia que existia ressaca de sentimentos. Talvez a gente só consiga percebê-la depois de muitas ressacas de álcool. Eu tive muitas. Você não pode acreditar no que virou o meu mundo. 

Lembro que sentada naquele ônibus lotado, sozinha, tive vertigens de pássaro que tenta alçar voo com sua asa partida, que tenta ir para o ninho e não consegue e se pergunta como pode tudo isso estar acontecendo. 

Tudo no meu canto é fragilidade e despedida. Tive ímpetos de escrever algo. Tenho tido essas explosões com frequência. Escrever sobre mim, sobre minhas impressões, minhas alegrias, minhas tristezas, coragens e medos. Tudo, tudo, tudo. Derramar tinta no papel, apertar o dedo sob o teclado. Palavras e mais palavras.

Talvez hoje, tenha que te dizer algo.

Queria dizer todas as suas inúmeras qualidades, para que você acreditasse mais em sua capacidade. Assim, livre, poderia seguir feliz. Mas você já se deu ao trabalho de me jogar na cara várias vezes, todas elas. E as minhas.

Então tudo que consigo escrever é:" Desculpe, não se pode negociar com a vida. Porque às vezes, ser um homem curado de um amor, pode ser muito melhor que ser um homem amado por mim! Porque eu sempre quis um romance, quis um filme, mas sempre acabo sendo um conto breve sem pontuações definidas. Eu queria um amor de novela, mas não aprendi que na vida real as histórias tem outros enredos. Eu, amando intensamente, talvez nunca tenha aprendido a amar. Desculpe."

quarta-feira, 26 de junho de 2013

É, eu deveria estar na manifestação. É, eu nem devia ter cogitado a possibilidade estar aqui. 

É, isso! O que eu vim caçar? Só sarna para me coçar, ilusão para alimentar e cara para quebrar. Apenas isso.


Mas... Talvez... Talvez eu devesse mesmo estar aqui. 

Afinal, se decepcionar pela milésima vez já não dói tanto. Você ainda não cansou disso né, dona? Vamos lá!

O apito anuncia o início do espetáculo. Os olhares, os abraços, os carinhos. As provocações! Como não perceber? Como não sentir? Como não fantasiar?


E você sempre ignorou esse fato, seguindo seu caminho. 


E eu nunca vou entender. 


Eu nunca vou saber porque a vida é assim.


É como se isso tudo fosse tão grande, tão absurdo que praticamente não é! 

É como se nem existisse.

E aí, eu desencano, de tanto que encano.

E aí, já não é mais!